Vinícola gaúcha cruza o Atlântico para produzir a bebida símbolo da França
A primeira semana de maio será tempo de festa na Vinícola
Geisse, do enólogo Mario Geisse, na região de Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha.
Geisse receberá em casa o francês Philippe Dumont para abrir a primeira garrafa
do legítimo champanhe que fizeram a quatro mãos. Só os espumantes produzidos na
região francesa de Champagne podem levar esse nome.
Herdeiro de uma família que
produz a bebida há mais de 300 anos, Dumont convidou Geisse para, a partir dos
conhecimentos que o enólogo chileno forjou no Brasil, elaborar um champanhe na
Região de Reims, onde fica a propriedade da família. "Foi uma forma de
trocar experiências. Ele, com uma história centenária na produção de champanhe
e eu, representante da primeira geração de espumantes no Brasil", explica
Geisse.
O Champagne Geisse & Dumont
foi elaborado com uvas de vinhedos classificados como Premier Cru, designação
concedida em função da alta qualidade e da localização das vinhas. Dos 200
vilarejos de Champagne, 43 têm denominação premier cru e apenas 17 levam o selo
grand cru, de qualidade ainda superior. As 1,5 mil garrafas da primeira safra
do Geisse & Dumont devem chegar ao mercado em junho, por cerca de R$ 240
cada.
O encontro entre as duas famílias
aconteceu quando Dumont, após experimentar o espumante Cave Geisse em uma
feira, decidiu conhecer como a bebida era fabricada no Brasil. "Desde
então, nos encontramos diversas vezes e nos tornamos amigos", diz Geisse.
A vinícola brasileira virou referência em espumante no novo
mundo. O Cave Geisse foi servido, por exemplo, no jantar de recepção oferecido
pelos empresários brasileiros ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama,
em sua visita ao País, em 2011. Está também na carta do famoso hotel Savoy,
considerado o melhor de Londres.
Os espumantes da vinícola custam
de R$ 48 a R$ 120 a garrafa. Mas há casos como o Cave Geisse 98, de R$ 600. Com
uma produção de 300 mil garrafas e faturamento de R$ 7 milhões, a empresa não
tem planos de crescer em volume no País. "Temos um compromisso com o
terroir (área determinada conforme as especificidades do solo), que garante as
características que definimos para os espumantes", explica Daniel Geisse,
diretor comercial da vinícola e um dos quatro filhos de Mario. "Há dois
anos plantamos os últimos vinhedos nessa demarcação. Não há como aumentar a
produção."
A área foi escolhida por Mario
Geisse nos anos 70, quando veio para o País comandar a Moët & Chandon do Brasil.
Logo nos primeiros anos, ao perceber o potencial da região, começou a
investigar o melhor local para plantar seus vinhedos e criar sua vinícola, em
1979.
Além dos espumantes no Brasil,
Geisse tem um projeto que chama de "El Sueño": produzir o que há de
melhor em cada parte do mundo. Ele fabrica, por exemplo, pequenas quantidades
de uvas Carmenère no Chile e de Malbec na Argentina. "Para cada terroir,
um projeto", define. A ideia é transformar a vinícola em uma butique -
onde o champanhe acaba de ganhar destaque.





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